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malas & malas

- Larga as carteiras, não precisas de mais nenhuma para juntar às cento e onze que tens em casa!
- Claro que preciso! Olha-me esta, tão gira... Ficava mesmo bem para usar com aquele top. Até consigo imaginar...
- Sim, sim.. isso com uma écharpe, com um pesseguinho, veste bem com uma calça muito em conta...
- Não digas parvoíces, a sério...é mesmo gira. Acho que vou levá-la; nem está cara...
- Eu já não digo nada.
(fora da loja)
- Estou tão feliz, olha...tão gira, tão gira... tenho uma mala tão gira!
- Ok, estou para ver quantas vezes a vais usar...

Tudo isto serve de introdução ao facto de que hoje contei quantas carteiras tenho no armário e são 24 no total. Estou chocada. Eu sei que tenho uma capacidade sobrenatural para guardar tralha mas isto seria impressionante por si só (e eu fiquei admirada, pensava que eram menos) mas, o problema é que, na realidade, só vou alterando entre umas  quatro carteiras 'main', normalmente em tons cinza ou bege, as outras mal uso!
Ou seja, durante anos de vida tenho vindo a acumular preciosismos que só eu entendo, até porque lá existe, entre os quais:
- a bolsinha para levar para concertos (pequenina e 'anti-roubo')
- a eastpack pequena para levar no avião ao colo (entenda-se que não viajo há mais de cinco anos...)
- a 'tão gira que nem te uso muito para não estragar'
- a 'não sei o que fazes aqui mas um dia vou passear-te'
- a 'tão chique que nunca te levo a lado nenhum'
- a 'dada por uma amiga, que querida, um dia lembro-me e uso-te!'

... isto podia ser um post interessante sobre malas, não era? Mas é só isto. :D
Bom fim-de-semana!

ps. se andarem por Aveiro, decorre neste fim-de-semana a Festa das Enguias e dos Ovos Moles, se gostarem, aproveitem que eu vou lá andar a fazer por não caber no bikini este ano.

'Continua chamando-me assim....bebé!'

"(...) I have a secret stash of children’s clothes for when I do have a baby. Wherever I go, if ever I find something that is so beautiful, I just get these little things along the way. That’s my weird quirk—I really, really want a baby.”
Sia Fuller @ Elle Magazine [Wardrobe Chic- Sia]

Pensava eu que era meia maluca por me apetecer comprar roupas e brinquedos de bebé para uma filha que um dia terei.
Confesso que há alguns objectos que compro que sei que não são absolutamente adequados à minha idade. Aqui há uns tempos no TOYS'R'US chamei a assistente de loja porque não encontrava uma 'luz de presença' - queria uma com bonecada e com cores (muito apropriado à minha idade, portanto). A senhora mostrou-me vários tipos diferentes, explicando-me as funcionalidades, os consumos, explicou-me como a luz era benéfica para a criança, tudo isto com os meus olhinhos a brilhar agarrada a um foguetãozinho que dava luz... Até à parte em que me perguntou 'Quantos meses tem o bebé?'. Damn it, fui apanhada! (e comprei o dito foguetão-luz de presença; vai mudando de cor, desliga-se sozinho quando está de dia e tem uma duração de 10.000 horas :D)
Ou quando na Feira do Livro deste ano comprei um livro chamado "400 super missões": vou-vos dar a respectiva sinopse do mesmo: " Um caderno com 400 actividades para crianças, entre os 3 e os 8 anos, que ajuda a ocupar o tempo livre. O livro explora a imaginação, o sentido de humor e a capacidade de desenhar."  É tão engraçado e  fiquei tão contente  com aquilo que, uma semana depois o DelGiorgio me comprou lápis de cor novos! Não tenho solução mesmo!

Deste modo, sinto-me muito melhor após saber que há quem consiga ultrapassar esta minha pequenina demência de uma forma mais crítica mas, um dia, aquelas mini-sapatilhas Adidas com cerca de dez centímetros vão ser "minhas", até lá continuarei a achar que a Sia deveria ser minha prima e que iríamos ser amicíssimas (adoro-a!).

'ai, que prendi o meu salto alto no meu neurónio!'

Como é incrível a quantidade de miúdas/senhoras/seres que tentam equilibrar-se em cima de umas sandálias de plataforma ou de salto alto de 10cm no meio da calçada.

Antes de fazerem uma entorse proporcional ao tamanho do salto já parece que a fizeram, com um andar entro o 'sou um cágado' e o 'sou tão boa a andar em cima disto que nem preciso de olhar pro chão...ó....ó...óóóóó!'.

Se eu fosse mãe de uma miúda de 12 anos, muito havia eu de me pegar com ela. Não é que haja uma idade para começar a usar saltos - era demasiada parvoíce para um post só; agora, miúdas que parecem aranhiços, que se torcem e contorcem no meio da rua e que devem sofrer horrores em cima de chanatos de salto agulha, por quererem parecer mais altas, mais velhas, com mais estilo; por favor! Não é assim, definitivamente, não é!
Parem lá com isso. Vão ter muito tempo para ficar com os pézinhos envoltos em dor profunda depois de um dia inteiro em cima de uns saltos. Vão chegar a um estado em que os pés adquirem uma consciência própria e ficam dormentes de tanto vos doerem e vocês vão aguentar - sem chorar, como só uma 'lady' sabe disfarçar.

Eu não gosto de figuras demasiado tristes. Não gosto mesmo; pior do que me fazerem rir, é fazerem-me ter pena!
Mas se caírem, garanto que vos dou, no mínimo, um sorrisinho de brinde. 
'I've told ya...'

Cose-me aí esse botão...

Ontem o meu pai pediu-me para lhe coser um botão no sobretudo com aquele olhar de Bambi que os pais fazem quando precisam mesmo de algo...
E vai daí que me lembrei  da Dona Iria, com o seu cabelo branco e cinza, pelo queixo  sempre com uma bandolette e enrolado para dentro, com os óculos empoleirados na ponta do nariz debruçada sobre os paninhos nas nossas mãos:"
Faça-me isso direitinho... Olhe a linha! Puxe-me isso!!!...Onde é que já se viu o pano todo arrepanhado, estique-me isso menina!... 
Picou-se? Bem feita, não pôs o dedal...O ponto de cruz não é para inventar, tem que ficar em linhas por trás, sabe?".

 A Dona Iria era a nossa professora de Lavores nos "Tempos-Livres" e ensinava-nos a dar uns pontinhos jeitosos em paninhos aos quadradinhos vermelhos ou verdes, a fazermos imagens feias e parolas a ponto de cruz, a tecer num mini tear coisas sem nexo e a fazer pompons ("Doze menina, doze...!") para no final juntarmos e fazermos uma lagarta.

Os 'Tempos Livres' ficavam num edifício antigo com três pisos e salas com um pé direito bem alto, chão de madeira escura que rangia quando dávamos um passo e com tectos - na altura feios a meu ver - lindíssimos, todos ornamentados com aquelas decorações em gesso.
Na altura, Lavores era dos ateliers mais ridículos e mais chatos que tínhamos, ainda por cima a Dona Iria refilava imenso com toda a gente e ainda mais comigo - ou assim parecia. 
Na sala havia um cheiro a botões velhos e a cera de madeira cor-de-laranja (bom...) e só se ouvia um murmurinho de vozes interrompido por repentinos 'Ais' quando alguém se picava na malvada agulha.

Acho que tenho um dom qualquer para a costura, era uma expert (e ainda sou, apesar de já não ser hobby nenhum) a fazer ponto-de-cruz mas nunca consegui fazer a dita lagarta, pois conseguia demorar imenso tempo a fazer pompons, porque me punha na conversa e tinham que ser "Doze menina, doze...!" - fiquei sempre com a ideia de que mos roubavam mas isso também não interessa para nada. Aliás, lembro-me de ter cerca de 5 anos e estar com a minha bisavó a aprender a fazer 'cordão' mas, como nunca soube dar a volta para a carreira de cima, se ela não estivesse por perto, limitava-me a fazer metros e metros de cordão. Ela ria-se.

Hoje, quando tenho que coser qualquer coisa, armar-me em estilista de improviso ou ajudar a minha irmã em projectos de educação visual, lembro-me sempre da Dona Iria e até chego a ter saudades do seu tom autoritário e dos seus óculos na ponta do nariz "Faça-me isso direitinho... Olhe a linha! Puxe-me isso...!!"

Roupa? Minha...só minha!

Nunca percebi muito bem aquela mania de pedir roupa emprestada a alguém. Com isto não digo que não goste de roupa de amigas minhas (esfolem-me aqui!), porque não é esse o caso... mas, é delas, ficas-lhe bem porque é delas.
Aliás, até posso achar uma peça qualquer muito gira mas, não consigo usar! Não é que não gabe ou fique 'invejosa' de uma coisinha qualquer mas...não é meu, não uso!
As minhas irmãs, com diferença de dez anos de mim, estão numa fase 'adorável' de me conseguirem surripiar desde casacos de malha, a t-shirts, cachecóis, brincos... - ao menos - e pela primeira vez! - o meu rabo enorme tem um bónus: faz com quem não me possam pedir emprestadas as calças! (mesmo assim, era escusado...)
Será por nunca ter tido uma irmã mais velha a quem pudesse eu roubar coisinhas?
Será por ser esquisita e demorar anos a escolher qualquer coisa?
É que, nem quando me encontrei, à beira do abismo, sem roupa decente para vestir para ir tomar um mero café e a RosaCueca me abriu o seu armário de par em par, fui capaz de usar um top que fosse!
Scusa, indiscutivelmente, é paranóia minha, só pode...

Complicada, eu?

Eram cerca de sete horas, uma escuridão medonha, saí do autocarro no meio do "nenhures" que considero o sítio onde vivo e fui pelo caminho, aos saltinhos entre as poças de água, embrulhada nos meus pensamentos...
. Sábado... É preciso marcar mesa no Armazéns da Ria porque somos muitos...e há o bifinho da casa com natas - pouco calórico, bah! Azar, vamos dançar mais tarde...!Que desculpa!
. A seguir Praça do peixe talvez...um martini bianco, uns shots no Kapa Gê Bê... - É melhor não, da última vez bastaram 4 seguidos para ficar a sentir um pequeno sismo no café.
. Depois, siga para a Estação da Luz... Alexkid! Alegria e loucura!
. É pá, o que é que eu levo calçado? Que desgraça! Se levo saltos, doem-me os pés a partir da primeira meia hora na pista... Não vou de sapatos, nem de sapatilhas que fico uma anã lá no meio dos putos todos! Tenho que ver melhor em casa...
. E vestir? Se calhar aquele top novo que comprei outro dia nos saldos, ou o preto da bershka... Mas tá frio, não vou andar com um top sem um casaco. Dava jeito uma t-shirt gira... 
. Onde é que eu vi uma cena assim gira? Ah, já sei, na x-treme!! Tenho que ir à x-treme, aquela roxa com folhos era linda...Será que ainda há? A Teresa bem que me disse que era a minha cara... mas isso foi há três semanas.... Estúpida, porque é que não a experimentei?! Meu Deus, não pode, acabei de me apaixonar loucamente por uma t-shirt que vi  no manequim de uma loja há três semanas!!
(...blahblahblah... Até chegar a casa.)

Sim, sim e sim, eu consigo ser bastante fútil e ter monólogos interiores do mais ridículo possível...
Pois é, afinal  não é só ele que não compreende as mulheres, na verdade, nem eu me consigo compreender!

ps. Vou hoje à loja procurar a t-shirt...shame on me