Just think about it...

"Escrevo simplesmente. Como quem vive. Por isso todas as vezes que fui tentada a deixar de escrever, não consegui. Não tenho vocação para o suicídio.
Um jornalista perguntou-me:
- Por que é que você escreve?
Então eu perguntei-lhe: Por que você bebe água? A honestidade é muitas vezes uma dor."
Clarice Lispector
Não conheço nadinha de Clarice Lispector, mas tinha que vir aqui deixar isto, simplesmente porque me deu aquela sensação familiar de "ainda bem que ainda existe gente que percebe porque escrevo"...
Não conheço nada desta escritora, mas só por pensar assim, merece o meu sorriso e o meu aplauso.
(ps- entretanto para ficar mais esclarecida...encontrei isto, e fiquei ainda mais contente)

10 comentários:

Haka disse...

Nem o nome de Clarice Lispector eu conhecia, mas este bocadinho que li, é muito muito bom!!

Tu sentes-te retratada nessas palavras, eu também, e ainda bem que há muito mais pessoas a pensar da mesma maneira...

Beijo!


(texto fresquinho no Surface Underground, a falar da liberdade...)

Del Giorgio disse...

morreu 1 dia antes de fazer 57 anos e era sagitariana.
sagitariana... hmmmm... ;)
eu tb tenho mto a ver com ela e com vocês. tb n sei pq escrevo as merdas q escrevo mas flui-me e isso n é + do q prestígio!
olha q cais!!! **

Sandro disse...

Oi Ana!
Há uns tempos escrevi um texto dela no meu blog. Como não sei copias para aqui o link, digo-te que foi em Novembro de 2004, e que podes ver nos meus arquivos. E devias... pelo que dizes dela, vais adorar.
Um beijo

Carlos Barros disse...

desculpem lá como sou contra natura e estava neste momento que vim aqui a beber deste homem que eu tanto aprecio...aqui fica


Sem Título e Bastante Breve

Tenho o olhar preso aos ângulos escuros da casa
tento descobrir um cruzar de linhas misteriosas, e
com elas quero construir um templo em forma de ilha
ou de mãos disponíveis para o amor....

na verdade, estou derrubado
sobre a mesa em fórmica suja duma taberna verde,
não sei onde
procuro as aves recolhidas na tontura da noite
embriagado entrelaço os dedos
possuo os insectos duros como unhas dilacerando
os rostos brancos das casas abandonadas, á beira mar...

dizem que ao possuir tudo isto
poderia Ter sido um homem feliz, que tem por defeito
interrogar-se acerca da melancolia das mãos....
...esta memória lamina incansável

um cigarro
outro cigarro vai certamente acalmar-me
....que sei eu sobre as tempestades do sangue?
E da água?
no fundo, só amo o lodo escondido das ilhas...

amanheço dolorosamente, escrevo aquilo que posso
estou imóvel, a luz atravessa-me como um sismo
hoje, vou correr à velocidade da minha solidão


Al Berto

Ana, dona do café disse...

Sandro, quando tiver tempo vou la dar uma olhada * obrigada pela dica!


Carlos Barros, gosto muito de Al Berto, ate comprei aqui ha tempos o wordsong e do que conheço dele, gosto =) e esse poema é "qualquer coisa". bjs

A todos os outros, bjs tambem (em especial para o que nao me deixa cair lol)

Andreia disse...

Brincar com palavras é como um dom...
Uns nascem com ele, outros tentam conhecer-lhe os contornos.
Faço parte do segundo grupo...mas escrever é um breve sorriso ao mundo de uma alma encantada por letras díspares que se entrecruzam.

H. disse...

gostei imenso da frase... fez-me lembrar algo parecido que o Virgilio Ferreira disse uma vez... e claro, tb me fez lembrar a minha própria necessidade de escrever...

E quanto ao Al Berto, é simplesmente excelente... de vez em quando leio pedaço do »Medo« e gosto muito da maneira naturalmente sombria que ele tem de pôr as coisas...
*

Hrrada disse...

"Depois de escrever, leio...
Por que escrevi isto?
Onde fui buscar isto?
De onde me veio isto?
Seremos nós neste mundo apenas canetas com tinta
Com que alguém escreve a valer o que nós aqui traçamos?"
( Álvaro de Campos, 18.12.1934)
Eu junto-me à vossa lista ;P

xary disse...

pois é, também não conheço nada da Senhora mas só por esse excerto, fiquei curiosa. a verdade é que também sinto isso em relação à escrita e sempre que as palavras parecem me deixar, entro em desespero e perco um pouco do meu rumo. descobri há muito tempo que sem as palavras perco grande parte do que sou.

by the way, gostei do teu blog, do que escreves e como está tudo organizado :) vou adicionar-te aos links do meu blog pode ser? :)

beijinhos

Fernando Moreira disse...

este post parece-me tão sincero e autêntico que grande parte dos bloggers gostariam de o fazer, mas não se atrevem. E tu... sim senhora, parabéns