Butterfly effect...

It has been said that something as small as the flutter of a butterfly's wing can ultimately cause a typhoon halfway around the world.
- Chaos Theory
(diz-se que algo tão insignificante como o bater de asas de uma borboleta pode provocar um tufão no outro lado do mundo, Teoria do Caos)
Eu poder-me-ia lembrar de todos os momentos por que passei. Lembrar-me do meu primeiro beijo; da primeira vez que te vi e não te consegui falar, mas hoje lembrei-me que fazes parte da minha vida e que pela primeira vez me apercebo do importante que isso é.
Hoje olhei para trás e vi a minha mãe a abraçar-me com ternura e o sorriso do meu pai a dizer que eu era linda e estavam os dois felizes e tudo era perfeito. Podia ser um outro dia qualquer, porque os dias não são feitos de segundos, minutos ou horas, são feitos de momentos e, de tão preciosos que são, nunca me lembrei que sou feita de todos eles.
A minha cabeça está confusa, perdi a noção do tempo e passeio-me por entre tudo o que neguei e tudo o que deixei para trás e por todas as consequências e por todos os momentos que vieram a seguir por eu ter mudado o meu destino com um só gesto ou uma só palavra. As pessoas que conheci, os instantes que passaram por mim e que não mudei, são efeitos de mim, são histórias que eu criei e que nunca ninguém jamais poderá inventar.
A minha mãe tira-me do berço com uma meiguice que eu nunca poderei descrever, do qual não me lembro, mas eu sei que existiu, para além de tudo que eu não esqueci, para não me recordar dela agora.
Passaste por mim e o teu olhar cruzou-se com o meu e eu fiquei parada no tempo e agora sei que te deixei passar no meio da multidão. Podia ter voltado para trás, podia ter chamado por ti, mas limitei-me a olhar-te a ver-te sorrires... Nunca te conheci, nunca soube o teu nome, nunca passeei contigo, nunca te beijei, nunca me ofereceste uma flor, nunca ouvi música contigo, nunca dançámos juntos, nunca me escreveste uma carta, nunca sorriste para mim, mas passaste por mim e eu deixei-te ir para não fazeres parte da minha vida, para não te amar, como eu sei agora que te iria amar.
Os momentos passam, as pessoas passam, as palavras fogem e tremem quando sou eu que passo. Basta um sorriso para mudar o mundo, basta uma lágrima para acabar com tudo, basta uma palavra para eu te conhecer, basta um olhar para te admirar e um fechar de olhos para tudo passar à minha volta e nada mais existir.

Todos nós temos momentos em que gostaríamos de poder mudar algo na nossa vida. Trocar algo que fizemos mal, por algo de bom, mudando o percurso natural das coisas; ganhar amor, ganhar algo que deixámos para trás, ter esse poder... e se realmente o pudéssemos fazer?

6 comentários:

Ana, dona do café disse...

comentando o meu próprio post ... :)

Por um lado, gostaria de voltar atrás e mudar muitas das coisas que fiz, ou não fosse eu perita em arranjar encrencas; por outro lado, se recuasse no tempo para fazer essas mudanças, talvez nunca me viesse a cruzar com uma data de pessoas que conheço e que são hoje meus amigos, as pessoas que agora me rodeiam, ou seja, não seria boa ideia... nááá! :p

(ok, conheceria outras pessoas, mas estes amigos que tenho agora são especiais porque se foram progressivamente fazendo o seu próprio cantinho no meu coração; e, se ao voltar atrás não os tivesse na minha vida, sentir-me-ia tão sozinha e tão desamparada que andaria que nem uma doida à procura deles? Lol um bocado radical, não?)

Sabem que mais?
Divirtam-se agora, vivam de momentos...como eu tento viver!
Se não temos uma borracha para apagar certas coisas que fazemos e que achamos menos boas, porque não continuar a desenhar e pintar por cima? é bem mais bonito e faz-nos aprender muito mais :)
beijos cheios de mimo
(ando mesmo cheia de mimo, oh criancinha-grande! :p)

Andreia disse...

Os erros servem, precisamente, para construirmos o que somos. Não o que somos aos olhos dos outros, mas o que somos para nós mesmos.
O resto... não me sinto capaz de comentar, simplesmente porque é uma coisa tua e tentar percebê-la seria adulterá-la de uma maneira que não gostaria.

Pensarmos naquele instante em que poderíamos mudar alguma coisa acontece a todos nós, num qualquer momento da vida, ou mesmo em vários. Mas quem nos diz que se mudássemos teríamos uma vida melhor ou mais completa?
Não digo para nos contentarmos sempre com tudo que temos, há que ter a ambição de mudar para melhor (ou a coragem para o fazer...).
Contudo não podemos viver com os olhos presos no antes, porque a vida não é feita de sorrisos, nem de lugares, nem de momentos, é feita de pessoas que se entrelaçam em nós e que deixamos ou não fazer parte do que somos. Se as pessoas são realmente importantes perduram no tempo. Não apenas no tempo físico, mas naquele tempo que existe nos momentos antes de dormir em que revemos as pessoas que realmente têm importância e que um dia bateram as asas só para nós.

Anónimo disse...

"Herrar é umano"! Já não me lembro onde vi isto escrito, já foi há muito tempo, mas nunca me esqueci. É mesmo isso que nos torna humanos, o falhar, o aprender e o melhorarmo-nos. E para isso não é necessário mudar nada do passado, porque este está lá para nos lembrar dos caminhos que já percorremos, mesmos sem os desejarmos. Mudar momentos das nossa vida seria como passar corrector nas páginas ... apagávamos o mau, mas não tínhamos a visão deste para o moral das histórias! O sofrer é humano, é uma mal necessário. Claro que há limites e muitos desses dependem de nós :)
Anita - como não podemos mudar o passado, pensemos bem no presente, tendo em conta esse passado e o futuro só pode ser um sorriso, daqueles que mudam tudo, mesmo sem darmos conta.
Esta tu vais descrobrir de quem foi...não é BABE?

Ana, dona do café disse...

babe?.... a única pessoa que me chama babe, chama-se Daniel e embora "Herrar seja umano", algo me diz que andas mt distraído a "herrar" mt por aí :P
beijo.

Del Giorgio disse...

Um grande exemplo passa-se comigo: se eu pudesse mudar o passado, nem tinha cá vindo ao blog ler nada e mto menos deixar "comentários"...

Só 1 obrigado por me teres dado a tua companhia durante o filme e até me fizeste voltar atrás em qualquer coisa (ou muita, sei lá): saquei o último dos Oasis que até me tinha esquecido deles.

"In and out my brain, running through my veins. You're my sunshine, you're my raaaaaaaaaaaaaaaaaaain..."

Anónimo disse...

Ana, o que escreveste é lindíssimo. Uma vez também me debrucei sobre o que mudaria na minha vida se pudesse mexer nela. Cheguei à conclusão que mudaria algumas coisas mas fiquei com outra dúvida. Ao mudar essas coisas, não estaria também a mudar a minha vida de tal forma que ela não seria o que hoje é? E se fosse pior? Fica-se sempre na dúvida, mais vale ir tentando fazer as melhores opções diariamente, conscientes do que achamos que fizemos de errado no passado. Beijos :) Flor do mar.