Fresta...

Muitos de vocês desconhecem a minha enormíssima devoção e adoração por Fernando Pessoa (e heterónimos).
Podia dissertar aqui sobre a vida e obra desta grande personagem que me consegue deliciar com os seus versos mas, seria uma homenagem injusta, devido à imensidão e qualidade do legado que nos deixou
Assim sendo, deixo somente aqui um poema, lindo como só um poema de Fernando Pessoa consegue ser...
um beijo
Fresta

Em meus momentos escuros
Em que em mim não há ninguém,
E tudo é névoas e muros
Quanto a vida dá ou tem,

Se, um instante, erguendo a fronte
De onde em mim sou soterrado,
Vejo o longínquo horizonte
Cheio de sol posto ou nado,

Revivo, existo, conheço;
E, inda que seja ilusão
O exterior em que me esqueço,
Nada mais quero nem peço:
Entrego-lhe o meu coração."

Fernando Pessoa (1888-1935)
Ficções do Interlúdio

5 comentários:

Del Giorgio disse...

Que os meus olhos vêem
O que muitos nem sequer pensam
Já eu vi e sem pensar
Porque os meus olhos se dispersam
E tantas vezes se condensam
Num único e só olhar

Vivo para algo que nem eu sei
Na espera de alguém mo dizer
Perdido com o que nunca a ninguém dei
Junto a uma fonte seca, pronta a morrer

Há um calor que me vai arrefecendo
Sinto-me culpado por tudo o que não fiz
Aos poucos me vão esquecendo
Eu próprio me vou perdendo
Sou o réu, o jurado e o juíz...

Jorge Soares (1975-ainda vivo)
Ficções do Idiota

Ana, dona do café disse...

simplesmente..brilhante.

Wakewinha disse...

LIBERDADE

Ai que prazer
não cumprir um dever.
Ter um livro para ler
e não o fazer!
Ler é maçada,
estudar é nada.
O sol doira sem literatura.
O rio corre bem ou mal,
sem edição original.
E a brisa, essa, de tão naturalmente matinal
como tem tempo, não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto melhor é quando há bruma.
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

E mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças,
Nem consta que tivesse biblioteca...


Eu também sou aficcionada em Fernando Pessoa, mas o meu preferido continua a ser o "Liberdade"...

Gosto muito do teu blog.

Um dia apresento-te ao meu... blog, claro! ;)

VR disse...

já que falamos de Fernando Pessoa...
"o valor das coisas não está no tempo em que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. por isso, existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis."
Krypto :P

Hrrada disse...

"Sei que nunca terei o que procuro
E k nem sei buscar o k desejo,
Mas busco, insciente, no silêncio escuro
E pasmo do que sei que não almejo"

Fernando Pessoa

Smp m identifikei c/ este poema dele, dd os meus 13 anos...