"Gato que brincas na rua"

Gato que brincas na rua
Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.

Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.

És feliz porque és assim,
Todo o nada que és é teu.
Eu vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu.


Fernando Pessoa (+)


Porque há dias em que nos olhamos ao espelho e não sabemos onde nos perdemos
(nem onde nos podemos voltar a encontrar)

18 comentários:

pitanga disse...

Ana, sei bem do que fala quando diz que nem sempre nos achamos. Nem sempre o espelho reflete o que queremos ver.

boleia disse...

fiquei contente por teres voltado! Embora te sinta tristinha! Parte esse espelho e ve-te pelo olhar de alguem...

Ana disse...

Vais encontrar-te...

Andreia disse...

A Bixa Ramoma..quem a vê não pensa nos dentinhos afiados e nas garras coffcoff :P.

Esse é um doa meus poemas preferidos do Pessoa.
Muitas vezes nós não sabemos bem o sítio onde nos perdemos, ou sabemos e tentamos voltar atrás a esse momento, mas entretanto o caminho mudou e por mais que caminhemos esse lugar não é igual.
Podemos sentar-nos no chão e esperar que alguém nos venha buscar, ou tentar levantar-nos e andar, ainda que não saibamos para onde vamos *

Carla disse...

Fernando Pessoa .. Eterno,gosto dos textos,do blog e do cheiro a café!

Black&Decker disse...

Muitas vezes vemos aquilo que queremos ver... (infelizmente!).
Se esse reflexo é desagradável, aceita-o. Há fases assim... Muda a atitude e mudará o reflexo, anima-te senão os cafés ficam com outro sabor.
Boa sorte nos exames

Cátia disse...

Vais ver, quando menos esperares... Encontraste!
Beijinho*

Anónimo disse...

Miauuuuuuuu!

pitanga disse...

Viva Portugal!! Agora é o Brasil derrubar os cangurus!

Cleopatra disse...

É verdade Ana. Perdemos até no nosso refelexo... mas voltamos a encontrar-nos mais á frente.
Tomei café e dispensei o açúcar.
Tudo de bom.

Pedro disse...

Acabas por te encontrares novamente.

Força aí.

Bjos.

Rukinha disse...

é mesmo...

Outro disse...

Podemos sempre, encontrar, o nosso outro eu, no lado oposto ao espelho...

Psyché disse...

Fernando Pessoa, nem precisa de qualquer comentário mas pronto! :p Ainda me lembro do 1º contacto com esse poema, numa aula de português do 12º em que se falava sobre o desprendimento da vida, é engraçado como há coisas que nos marcam... Escusado será dizer que tens um blog fantástico! :p ***

qualquer calmaria disse...

oi, Ana.
Depois de um longo tempo sem tempo, volto a passear e visitar "cantos" que eu curto e me deparo com o seu texto. Assustou-me de tanto que me identifiquei com ele... Esse texto do Pessoa é lindo e diz exatamente como me sinto "sem me sentir". Mas tenho consciência de que isso é fase passageira. Só o que é bom permanece. E a gente tem uma nova chance de "ser" todo o dia. A cada 24 horas temos uma nova chance, mas nem sempre percebemos isso. Mas é questão de tempo, né? Grande beijo!

Nuno Vieira disse...

Nem sempre temos de saber quem somos, por vezes é até melhor não sabermos.
Quando souberes de novo terás encontrado de novo o teu caminho! Força!

LM disse...

Há quanto tempo não bebia aqui um cafézinho, por sinal sempre delicioso e barato!!
Jinhos

luis oliveira disse...

Queres a resposta, nunca nos voltaremos a encontrar no espelho mas um dia quando o teu olhar se cruzar com o de outra pessoa te poderás ver ao espelho.