analytics: como?

Tenho por hobby ridículo, quando me lembro, consultar o Google Analytics aqui do blog; faço-no não por ligar a estatísticas de visitantes e links e tal como a maioria dos bloggers assim o fará mas, para me surpreender com o que as pessoas pesquisam no google, ou noutros motores de busca, de modo a virem cá ter ao blog.

Neste último mês, a criatividade foi tão grande, que resolvi partilhar algumas das pesquisas que me fazem ficar completamente aparvalhada a olhar para o monitor:
(excluí as 'porno', não será novidade que serão frequentes aparecerem coisas como 'mulheres com canetas no rabo'. Para vossa sanidade, segue-se só alguma insanidade em modo síntese)

15 deste mez quero sugestao de chave para o euromilhoes
eu dou mas, se ganharmos passamos a escrever mês com 's' e dividimos o dinheiro, boa?

 comi trident preto e agora estou com boca dormente 4 dias
e então, queres mesmo falar sobre isso? que os dentistas não saibam dessa nova anestesia, as melhoras.
como fazer uma arma de choque com uma caneta 
não sei mas tenho medo de ti.

sonhar com carranhas do nariz
alto sonho. sugiro teres uns kleenex ao lado, just in case.

uma vez um padre disse-me que uma boa relação tem dois componentes: uma boa amizade e um erotismo inabalável.
o padre da minha paróquia, em tempos idos em que eu era uma 'menina da fé' nunca me diria tal coisa. no próximo natal oferece-lhe algo da Margarida Rebelo Pinto, ele vai adorar.

o que é dislaxia / o´que é dislaxia
confesso que esta é a minha preferida- segundo a wikipedia, dislexia é 'uma dificuldade na área da leitura, escrita e soletração', julgo que será o teu caso.

quero fala com uma caneta agora quero ve a caneta
eu acho que um médico te dava mais jeito; é só uma opinião...

gostaria de algumas dicas da vidente para parar de sofrer
dica: não pesquises no google...vai a um psicólogo

jogos de cavalos para andar e fazer a ecografia com ele/  fotografia de uma argalia / fonte que parece uma caneta/  eui quero mete/ eslogan de cafe/ apetece comer orelhas/ passatempo sexual de uma dona de casa / bolos de orem caganitas de cao
é à escolha, não sei o que nenhum de vocês quer ao certo (adoro a do 'eslogan')

como engatar a empregada de mesa / como engatar meninas bonitas piropos/ como engatar a dona do cafe
...é um mistério, boa sorte!

Gosto também das pessoas que escrevem ''⌨ quero jogar cafe mania agora em algum site''... sim, há quem faça  pesquisas assim. Pessoas estranhas: só precisam de escrever tópico, não precisam de fazer perguntas nem pedir aos senhores do google para responderem, ok? Eles não levam a mal, acreditem!

E, porque a pesquisa mais reencaminhadora de sempre é uma dúvida que abala a vida de muita gente que fica desiludida ao ver que não encontra aqui a resposta, cá fica em modo 'serviço público':

Como tirar Super Cola 3 ?
Existe um solvente 'descola tudo' que podem comprar em qualquer loja de ferragens/bricolage para o efeito; creio até haver um da marca Super Cola 3 ou da Loctite.
Há sugestões de diluente, água quente, morna, gelo, acetona...mas não sou crente e não acreditem muito em mim.
e voltamos ao normal a partir deeee...agora.
Bom fim-de-semana!

zapping mental

Sou bastante distraída e odeio quando me passam coisas ao lado...


 ...mas, às vezes, é uma bênção que isso aconteça. 
Definitivamente nunca entenderei fenómenos como este programa: não há ponta de nexo em lado nenhum para aguentar sequer 5 segundos a vê-lo.

Por sua vez, a RTP2 tirou-me a 'Mad Men'... começo a recear qualquer dia não conseguir ver televisão.

o último aceno ao senhor do adeus

 //Remember Me in Your Dreams
direcção: maria joão tomaz
produção: andré marques
estc © 2004//
Como João Manuel Serra contava, começou por acenar aos carros que passavam pela zona do Saldanha, em Lisboa, para enganar a solidão e acreditava que assim fazia as pessoas mais felizes, questionando-se, se até o não faria como uma espécie de missão.
Hoje foi o último aceno de adeus, ao senhor do adeus.
João Manuel Serra "O Senhor do Adeus", 1930 - 2010

sanidade imaginária

B. : eu tenho amigos imaginários e rio-me sozinho.
Eu: eu falo imenso sozinha e rio-me, consequentemente, sozinha. 
       ....
       ....
      Pensando bem, são os meus momentos mais sãos.

'os produtos expostos são para consumo no estabelecimento'

...
Ultimamente não tenho andado a saltitar de blog em blog como costumava fazer aqui há uns tempos, por lapso e distracção, ou mesmo por falta de paciência para certos conteúdos que não me interessam e me fazem ficar um bocado intrigada por haver tantos aplausos a coisa nenhuma.

Começo a ver demasiados textos cujas vírgulas são estupidamente substituídas por reticências (desconheço e não compreendo o motivo), a transbordarem de clichés e frases copiadas do icanread, ou de um diário de uma adolescente de doze anos, que em cada frase conseguem criar metáforas e comparações, com expressões como: 'as flores sorriram para mim...' e até com erros ortográficos para ajudar ao baile.

Todos temos os nossos sentimentos e faz bem partilhá-los, desabafarmos e tudo mais mas, se nossos serão, convém, no mínimo, sabermos exprimi-los à nossa maneira, sem andarmos às voltas a tentar fazer poesia prosaica para fingirmos que somos umas grandes divas do romance moderno e soarmos a Margarida Rebelo Pinto. Até porque nisto há que ter bom senso e saber incluir uma parte de nós no que fazemos, porque ser piroso é diferente de estar/ser sensível/sentimental. Na verdade, bem espremidos a maior parte dos textos não diz absolutamente nada, a não ser uma ideia muito floreada de uma situação hipotética, sem existir ponta de nexo e nada 'real próprio'.

Gosto de ler coisas de pessoas que sendo 'anónimas' (todos nós aqui o somos, uns mais do que outros) têm personalidade no que escrevem e que põem o seu cunho pessoal no que partilham (com textos brilhantes, parvos, lamechas, ridículos, circunstanciais, apaixonados, intrigantes; vale tudo!), sem terem que se agarrar a pensamentos bonitos para soar melhor; que quando escrevem tanto lhes importe ter zero, um, cem ou trezentos comentários ao post: que o façam somente porque lhes apetece e não porque estão a pensar que há quem vá aplaudir o que fizeram.

Sei que tenho pessoas que vêm cá de vez em quando (pelos comentários ou pelo contador - que se não estivesse ali, eu nem acreditava), uns quantos curiosos ocasionais,  outros que só vêm cá para dizer mal de alguma coisa, ou ver se falo sobre sexo e dicas para apimentar relações, como ser uma cabra do pior, ou sobre o verniz que me estalou no dedo mindinho do pé (e que tristes abalam ao seu terceiro segundo aqui: desculpem, sim?), ou quem se tenha enganado, ou  mesmo quem nem goste de nada disto e abale da mesma forma que entrou.
Não me julgo superior, nem serei superior a outros autores de blogs, ou mesmo a quem quer que seja, somente aqui quem gosta: lê, quem não gosta tem muitos outros blogs por onde escolher: juro que não me incomoda.   
Porque escrevo e partilho o que me apetece, quando me apetece e como me apetece. Dou erros como toda a gente, debito parvoíces a qualquer hora mas, ao menos faço-o porque me apetece, e não porque tenho uma imagem a desenvolver ou a defender perante quem cá vem - de me serviria tal coisa?
(ah, e no caso de algum dia isto vos soar a um pardieiro sem sentido, avisem-me... porque vos agradeço).

"better write to yourself and have no public
than write to the public and have no self."
Cyril Connolly

lembra-te de não me esqueceres

"The most heartbreaking thing about Alzheimer's.) Grandma died almost two years ago. We had to tell Grandpa again. "(Postsecret)

Lembro-me de ti, de sorriso aberto e do teu abraço forte e apertado, com a tua forma sempre tão suave de olhar a vida. Eras o meu herói mais secreto, porque me conhecias melhor do que ninguém; porque sabias o momento exacto em que as minhas lágrimas se soltavam quando eu olhava disfarçadamente para o chão, porque conhecias os meus truques, segredos e manias...porque sabias olhar para dentro de mim e descobrir aqueles sorrisos que guardamos para as pessoas especiais - mesmo quando nem temos motivos para sorrir.

No dia em percebi que algo se passava, trocaste os talheres de mão e tentaste descascar as uvas de faca e garfo. "Isto não dá, não funciona!", gritavas tu a atirar com os talheres. Esquecias-te da colher no iogurte da manhã e deitava-la fora dentro do pacote, perdias-te na rua, olhavas para os objectos e tocavas-lhes e ficavas apreensivo a fitá-los. Foi o princípio de uma série de incidentes que, como uma bola de neve, me fizeram pensar que te podia perder.

Junto à tua poltrona havia fotografias da família e dizíamos os nomes dos filhos e das netas em cada fotografia para te avivar a memória. Um dia ao dar-te um beijo,  perguntaste-me: "Quem é esta menina tão linda?", e eu respondi "Sou a Ana, avô"; e tu pegaste na moldura com a  minha fotografia com cerca de quatro anos e repetiste "Ana, Ana...". E davas beijinhos nas fotografias quando eu não estava. "Ana, Ana, Ana...".  

Com o tempo foste-te esquecendo dos nossos nomes, um a um... As fotografias já não te diziam nada, assim como todos os objectos: desde o relógio, ao casaco, ao dinheiro, à escova de dentes, à colher do café... Nenhum deles te fazia lembrar o que eram, nem para o que serviam.
A pouco e pouco fui-te vendo a desaparecer diante dos meus olhos. Outrora tão cheio de vida, tão bondoso, tão forte e determinado, tão empreendedor, vivias agora num mundo só teu, feito de coisas que só tu vias e te faziam pensar a toda a hora, sem notares praticamente a presença das outras pessoas tão próximas...e sem as reconheceres.

Quando te olhava, sentado a olhar o vazio na minha direcção, ficava com uma réstia de esperança de que me reconhecesses, me falasses, me desses aquele assobio que fazias desde que eu era bebé e, que me dissesses que ia tudo ficar bem. Nessas alturas vinham-me as lágrimas aos olhos e fugia para a casa de banho para esconder a aflição, embrulhada em soluços aflitos, que sentia por te ver assim. 
Quando a situação piorou, foste para um lar onde iriam olhar melhor por ti, visto que começavas a ter cuidados médicos especiais. Chorei. Chorámos todos, por sabermos que não regressarias mais à tua casa. 

Quando te visitava esboçavas o que me parecia ser um sorriso e tentavas a custo retribuir-me o beijo na cara que te dava. Não consegui muitas vezes arranjar coragem para te ir ver. Sentia-me incomodada por não te reconhecer daquela forma, por pensar em ti como algo demasiado oposto àquele corpo numa inexpressiva cadeira de rodas. 
Por dentro sentia-me egoísta e frustrada por não acompanhar a minha avó, o meu pai e a minha tia em todas as visitas que te faziam. Simplesmente, doía-me demasiado e sofria por ir e por não ir, pois ficava a pensar nisso à mesma.

O dia chegou, em que ouvi um choro às duas da manhã nas escadas da minha casa; dessa vez era mesmo grave. E, quando no dia seguinte, estávamos a chegar ao estacionamento do hospital e o telemóvel tocou e aquela chamada - que ninguém queria receber- chegou, o chão faltou-me debaixo dos pés e nem me tentei segurar.
...
No caso da doença de Alzheimer, muitas são as dúvidas, muita é a esperança por um tratamento, por um travão que seja para que não haja uma perda tão veloz das capacidades motoras, psicológicas e de consciência dos pacientes.
A maior perda a que assisti, apesar de as ter chorado todas de forma diferente, foi a da dignidade humana, mais ainda do que a perda física da pessoa - ainda que lidemos com isso de forma diferente - é uma parte assustadora para a qual não estaremos nunca preparados.

Tenho a perfeita noção que o meu avô já nos teria abandonado em espírito há muito, embora a sua presença ali estivesse para, de alguma forma, nos acompanhar e nos confortar, apesar de nada dizer ou fazer - apenas estar.
Deixou-nos ao sabor do tempo, demasiado depressa e de uma maneira cruel para quem foi um exemplo de vida para todos os que o conheceram. Apesar de tudo, sei que lhe mostrámos sempre o amor incondicional, a dedicação e orgulho que sentíamos por ele.

A melhor lembrança que guardo dele será sempre o seu sorriso, aberto e sincero, o seu optimismo e a sua forma de mostrar sempre o quanto gostamos de alguém a cada dia -  foi o meu melhor professor de sempre.

nunca se esqueçam de dizerem o quanto gostam de alguém, principalmente hoje, amanhã, depois de amanhã e depois e depois e depois...

sound of silence


Gosto quando consigo ouvir o meu eco ou de quando o silêncio se ouve mais alto. Prezo demasiado o meu canto, a minha pequena (in)sanidade com o meu cheiro, as minhas coisas e aquele misto de exaustão e prazer ao final do dia em que me atiro para cima da cama a fitar o tecto à procura de nada.

the old days were so good .

► Play

Porque se a minha vida tivesse uma banda sonora, esta estaria lá, de certeza:

 
Nitin Sawhney - Sunset (cantada pela Eska Mtungwazi, a melhor voz ao vivo que já ouvi) para  assinalar aqui o dia mundial da música. 
A painter paints pictures on canvas.  But musicians paint their pictures on silence. 
Leopold Stokowski
(Ainda bem que vamos para fim-de-semana, estou tão piegas!)

'falta de peso'/como sabotar a sua própria crónica

Quando nos cruzamos com um discurso da MRP como este (As gordinhas e as outras), ou mesmo este (O esplendor da carne) não dá para revirar os olhos sozinha e continuar a vida como se nada fosse: há que partilhar  As gordinhas e as outras


Three O’clock Rock - Jeanne Lorioz

Olhe Margarida, uma coisa é opinar, outra é desbobinar pensamentos carregadinhos de um ódio de estimação, provavelmente derivado de um qualquer episódio com um betinho com berloques que no liceu escolheu uma gordinha ao invés de si.
É triste saber que nos grupos de amigos que conhece exista gente com comportamentos estranhos - porém, não me espanta - no entanto, que a figura que faça sempre as figuras tristes e exibicionistas ser 'uma gordinha', poupe-me! - até o Sócrates de repente ficou mais credível.

Fica-lhe mal o preconceito nas suas palavras até porque, veja lá, tendo-a como termo comparativo de constituição física, a probabilidade de alguém ser gordinho ao pé de si é de cerca de 98%. 
A Margarida conseguiu fazer pior figura a dizer essas coisas, do que qualquer criatura bêbeda e ganzada a mijar de pernas abertas no meio da rua.
E lamento informá-la de que há quem diga palavrões e tenha comportamentos excêntricos sendo sempre uma senhora e, por outro lado, há quem se arme em grande lady e nem de palavrões precise para demonstrar falta de nível e de respeito.
''And that's how the cookie crumbles.''

doeu.

Hoje, em dez minutos, roubaram-me 70 euros.
Quando for grande quero ser dermatologista. (Podem começar a adubar-me).